
As doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no mundo, o que tem levado a uma busca crescente por estratégias nutricionais capazes de apoiar a saúde do coração. Entre os nutrientes mais estudados está o ômega-3, frequentemente associado à proteção cardiovascular.
Mas será que ele realmente funciona? E em quais situações a suplementação faz sentido? A ciência tem respostas importantes - e é isso que você vai entender a seguir.
O ômega-3 é um grupo de ácidos graxos poli-insaturados essenciais ao organismo. Os principais representantes são o ALA (de origem vegetal) e os ácidos graxos marinhos EPA e DHA, encontrados principalmente em peixes gordurosos.
Embora o ALA contribua para a ingestão total de gorduras saudáveis, os efeitos cardiovasculares mais consistentes estão relacionados ao EPA e ao DHA. Isso ocorre porque a conversão do ALA em EPA e DHA no corpo humano é limitada.
O interesse científico pelo ômega-3 surgiu quando populações com alto consumo de peixes apresentam menor incidência de doenças cardíacas. Desde então, diversos estudos vêm investigando seus mecanismos de ação.
Hoje se sabe que o ômega-3 atua em múltiplas frentes importantes para o sistema cardiovascular. Um dos efeitos mais bem documentados é a melhora do perfil lipídico, especialmente pela redução dos níveis de triglicerídeos e pela diminuição da síntese hepática dessas gorduras.
Além disso, o nutriente exerce ação anti-inflamatória relevante. Ele ajuda a modular mediadores inflamatórios como TNF-α e IL-6 e contribui para a estabilização das placas ateroscleróticas, processo central na prevenção de eventos cardiovasculares.
Outro ponto importante é a proteção vascular. O ômega-3 favorece a função do endotélio, estimula a produção de óxido nítrico e promove vasodilatação, fatores que colaboram para a redução da pressão arterial e melhora da saúde dos vasos.
Há ainda evidências de possível efeito antirrítmico, relacionado à estabilização da atividade elétrica das células cardíacas.
A literatura científica é ampla e, em sua maioria, aponta benefícios - embora nem todos os estudos sejam concordantes.
Metanálises mais recentes indicam que a suplementação adequada de ômega-3 pode reduzir o risco de infarto do miocárdio, doença arterial coronariana e mortalidade cardiovascular.
Por outro lado, alguns trabalhos anteriores não observaram impacto significativo em todos os desfechos avaliados.
Na prática clínica, a interpretação mais aceita hoje é que o benefício tende a ser mais evidente em pessoas com maior risco cardiovascular ou com alterações metabólicas específicas, como hipertrigliceridemia.
As recomendações atuais reforçam que a alimentação deve ser a base da estratégia cardiovascular. A Sociedade Brasileira de Cardiologia orienta o consumo de peixe pelo menos duas vezes por semana como parte de um padrão alimentar cardioprotetor.
A suplementação, por sua vez, é reservada para situações específicas. Entre elas estão casos de hipertrigliceridemia grave, insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida e prevenção secundária em pacientes já em uso de estatinas, conforme avaliação profissional individualizada.
Para indivíduos saudáveis em prevenção primária, a suplementação rotineira de EPA + DHA não é a recomendada de forma universal pelas diretrizes.
Um ponto fundamental destacado pelas diretrizes é que nenhum nutriente age isoladamente. O ômega-3 pode contribuir para a saúde cardiovascular, mas seus efeitos são potencializados quando associados a um estilo de vida equilibrado.
Manter uma alimentação variada, praticar atividade física regularmente, controlar o peso corporal, evitar o tabagismo e tratar adequadamente condições como hipertensão, diabetes e dislipidemia continuam sendo pilares indispensáveis da prevenção cardiovascular.
O conjunto de evidências indica que o ômega-3 - especialmente nas formas EPA e DHA - pode desempenhar papel relevante na prevenção e no manejo das doenças cardiovasculares, principalmente em indivíduos com maior risco metabólico.
Ainda assim, a suplementação deve ser individualizada e sempre integrada a um plano mais amplo de cuidado com a saúde. Quando bem indicada e associada a hábitos saudáveis, pode ser uma aliada importante na proteção do coração.
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